McDonald’s: GoMcDo.
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É, era aquele. O endereço batia com a informação passada pela central. Começava ali mais um dia na rotina dos dois policiais.
Estacionaram a viatura, desceram e deram uma espiada rápida ao redor da casa. Tudo certo. Tocaram a campainha e um homem bem aparentado surgiu. Quando informado sobre o motivo da visita, gentilmente convidou-os a entrar.
A casa, modesta porém meticulosamente decorada e organizada, tinha bom gosto. Os móveis combinavam e a disposição era leve. Tudo ali dentro era de boa qualidade e funcional.
O policial então começou o interrogatório de sempre. Algumas perguntas depois, tudo correndo como o planejado, e o anfitrião se lembrou que não foi devidamente educado.
- Ahn, me desculpe, mas nem ofereci uma bebida a vocês. Água? Suco? Refrigerante?
- Água já está bom, obrigado.
- Fique à vontade, tenho ali na geladeira.
O sorriso do homem, amplo e perfeitamente alinhado, era convidativo. Caminhou até a geladeira e deu uma nova olhada por cima do ombro para encarar aquele mesmo sorriso perfeito que decorava a face de alguém sereno, confiante. Virou-se, abriu a geladeira e aquela sensação gélida percorreu seu corpo. Mas não foi a sensação que doze anos de profissão haviam lhe ensinado.
Ao lado da garrafa, com um sorriso igualmente dissimulado, estava a cabeça de uma jovem.
Mal teve tempo de ouvir o parceiro cair.
Girou a maçaneta, abriu a porta de casa e percebeu que duas coisas estavam diferentes de quando saiu pela manhã. Na janela da sala, faltava um vidro. No chão, faltava um refém.
- Opa, viajei.
Quando se deu conta, percebeu que estava perdido nos próprios pensamentos. Começou a lembrar dos tempos de moleque, aqueles em que qualquer sonho era possível.
Época boa.
E mesmo com toda a estranheza do momento, deixou rolar. Afinal, que hora melhor do que aquela para deixar a mente viajar um pouco?
Foi quando chegou nas histórias em quadrinhos e como elas foram um verdadeiro jato de combustível no caldeirão de ideias que é a cabeça de uma criança. Passava horas admirando as acrobacias, os cintos de utilidades e as habilidades fantásticas daqueles seres que poderiam estar ali, ao seu lado, sem que fossem notados.
Achava engraçadíssimo os uniformes e se deliciava com a velha pergunta “quem teve a ideia de colocar cueca por cima da calça?”. Mas isso era irrelevante. Afinal, se era possível soltar teia de aranha pelo pulso ou derreter portas impenetráveis com um simples olhar, quem iria se importar com um mero detalhe fashionista? Um deslize facilmente perdoável.
Então percebeu que nada daquilo era fantasia. Dentro de cada um, existe um ser mais poderoso e capaz de fazer tudo. Só faltava uma coisa: coragem. E ele havia acabado de encontrá-la.
Ali, em pé na fila do banco, estufou o peito, vestiu sua máscara e, cheio de coragem, anunciou o assalto.
David Ogilvy / Advertising
- É você aí?
- Sim.
- Vai sair?
- Acho que não. Não vejo motivos para sair.
- Pois deveria, vai ser melhor pra você. Já te disse isso antes.
- Eu sei. E também sei que você tem razão, mas existem coisas que simplesmente não seguem uma razão. São o que são por impulso.
- E nossa amizade, não conta nada? Todos os anos que estivemos juntos… não pode simplesmente considerar essas coisas, pensar um pouco e então sair?
- Não. Não é assim que as coisas funcionam. Não é assim que vai ser.
- Você sabe o que vai acontecer se não sair agora, não é?
- Sei, sim. E mantenho minha decisão de pé até o fim.
- Mas que merda! MERDA! Cabeça dura desde pequeno, nunca deu o braço a torcer, nem mesmo quando estava errado. Você não me deixa outra alternativa. Já que você não vai sair, nós vamos entrar.
- Eu nunca fui um cara de alternativas.
- Boa sorte, meu velho.
- Boa sorte, meu irmão.
That awkward moment when you realize you’re a puffer fish.
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